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Aban completa um ano acolhendo refugiados venezuelanos


Com a escalada da crise na Venezuela que vem trazendo cada vez mais imigrantes a cruzarem as fronteiras rumo ao Brasil em busca de uma vida melhor, Boa Vista, capital de Roraima, tem exibido um cenário de superlotação de venezuelanos, que não conseguem ser absorvidos pelo mercado de trabalho, agravando ainda mais as situações de fome e miséria.

Nesse contexto, o projeto Casa Benjamin da Aban vem, desde outubro do ano passado, auxiliando no processo de interiorização desses venezuelanos a partir de uma acolhida amorosa e estruturada em Juiz de Fora. Desde então, 54 pessoas passaram pelo processo.

Dividido em três etapas, o projeto prevê a fase de adaptação do imigrante, por meio da integração com a cultura e com a língua; a fase de aquisição e manutenção do emprego e, por fim, o encontro de uma moradia e conquista da independência social e financeira. Para que essas etapas sejam cumpridas, a Aban trabalha com um perfil principal de imigrantes, que é compreendido por pessoas jovens, geralmente (e não necessariamente) com o 3º grau completo em áreas diversificadas de conhecimento, como medicina, engenharia, artes, entre outras. Na prática, isso leva cerca de três meses e neste um ano de projeto, 100% dos imigrantes cumpriram as etapas dentro do prazo estipulado. Conheça alguns deles:

 Alberto J. F. Navarro tem 22 anos e foi um dos primeiros a ser acolhido pela Casa Benjamin. Segundo ele, a adaptação na cidade foi muito rápida e fácil. Isso porque ele já somava um ano em Boa Vista e, portanto, dominava o idioma. "Só tive que aprender a falar o português mineiro, né?", brinca. No colégio dos Jesuítas, trabalha como auxiliar de almoxarifado e compras e coleciona sonhos para sua vida daqui pra frente, entre eles, estudar, trazer sua família para perto e trabalhar em projetos sociais da Aban. "Esta é a melhor cidade que já conheci no Brasil, me vejo velhinho aqui com minha própria família", conta.

 

 Sérgio Maurício Gonçalves Franco é um português de 23 anos que também foi atingido pela crise que se alastrou pela Venezuela e veio morar no Brasil. Atualmente, coordena o projeto ÓleoVita da Aban, que recicla  óleo de cozinha para transformá-lo em sabão. "Meus objetivos de vida são atingir a estabilidade financeira, progredir nos meus estudos em Administração e Gestão Empresarial, prosseguir minha formação no bem e dedicar todo meu tempo para isto. O impacto emocional que sofri em toda minha "curta" experiência me tornou mais forte e, hoje, depois de um ano em JF acredito mais que ontem que é possível transformar vidas e corações. É gratificante ver o outro sorrir, independentemente dos aplausos, aquilo que aprendi aqui foi a amar incondicionalmente, sem esperar nada em troca, é esse meu principal objetivo de vida, é isto que anseio e desejo a todo minuto. O bem começa nas pequenas coisas do dia a dia. Comigo fizeram muito até chegar aqui, quero retribuir, quero fazer mais, quero ser mais. Hoje sou maior do que era antes, hoje estou melhor do que era ontem", se emociona.

Com 20 anos, José Gregorio Uricare Navarro acaba de completar um ano na Princesinha de Minas, somando pouco mais de dois anos no Brasil. Ele confessa que sentiu bastante dificuldade no começo, mas que logo se adaptou. Hoje trabalha na praça de alimentação do Carrefour e o que mais quer é poder estudar e trazer sua família para a cidade.

Não foi preciso mais que cinco meses para que Idania Gonzalez, de 35 anos, se encantasse com a hospitalidade dos mineiros. "Gostei da gente, que é muito amável, educada e do clima frio", conta. Atualmente, trabalha como Analista de Sistemas em uma empresa de informática e só pensa em uma coisa: "Dar à minha filha Larissa a melhor qualidade de vida possível, com estudos, academia, cursos e, obviamente, o amor que é o mais importante".

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