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Abrace a Causa sai pelas ruas do Dom Bosco alertando sobre Violência Doméstica


Baseada na empatia e no companheirismo, a sororidade se define pela aliança entre mulheres em busca de objetivos em comum. Fortemente presente no feminismo, o conceito consiste no não julgamento prévio entre as próprias mulheres, no intuito de combater estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal.

Durante o último mês, sementes de amor e sororidade foram plantadas - e estão sendo regadas - no grupo de mulheres participantes do Vida Plena (metodologia de combate à pobreza criada pela Aban), no Dom Bosco. No dia 30 deste mês, elas saem às ruas na primeira ação prática do movimento por elas mesmas criado - o Abrace a Causa, com a passeata "Afasta de mim esse CALE-SE", que tem como objetivo conscientizar outras mulheres da comunidade sobre a violência doméstica e o feminicídio. 

De acordo com Juliana Assis, liderança do Abrace a Causa, a ideia do grupo surgiu pela quantidade de casos de violência contra a mulher que ocorre no bairro. "Há muitos casos nos quais as mulheres não se expõem, não se comunicam nem chamam a polícia, muitas vezes, por vergonha de falar com um parente ou alguém mais próximo ou até mesmo por medo de uma violência ainda maior" conta.

 Segundo dados do Mapa da Violência 2015 (Cebela/Flacso), o Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos, ocupando a quinta posição em um ranking de 83 nações. É nesse contexto que surge o termo feminicídio, que nada mais é que o assassinato de uma mulher simplesmente por sua condição de ser mulher. Geralmente, é motivado por ódio, desprezo ou pelo sentimento do parceiro ou ex parceiro de perda do controle e da propriedade sobre a mulher - o que é muito comum em sociedades onde a mulher é discriminada, como no Brasil.

Juliana, que já viveu situações de agressão com o ex companheiro e agora é responsável pelo grupo que discute o assunto, lembra que não fazia ideia do que era violência doméstica e feminicídio. "Agressão pra mim era bater, matar... Mas hoje eu vejo que existem várias formas de violência dentro de casa, como um xingamento, uma humilhação. Através do grupo fui entendendo e percebendo como é bom a gente se abrir e procurar uma instituição que pode apoiar a gente. Liderar um grupo de mulheres está sendo uma descoberta pra mim, estou aprendendo muito", conta satisfeita.