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Um espaço sem limites


Com a proposta de levar arte para o cotidiano das mulheres da Penitenciaria Jose Edson Cavaliere (PJEC), o projeto Jequitibá Rosa já colhe os frutos que só a arte é capaz de produzir. Idealizado inicialmente para o público masculino, o projeto foi direcionado a penitenciária feminina por questões relacionadas a obras.

 

No entanto, se manteve com o objetivo de proporcionar às pessoas que vivem em privação de liberdade, um momento diferente do que vivem cotidianamente e hoje, trabalha com 20 mulheres. Para Luciana Lopes, artista plástica coordenadora do projeto, a iniciativa abriu também novas oportunidades além dos espaços da penitenciária: “Com o projeto, foi possível também mostrar para elas que a arte pode ser terapêutica, ou pode tornar-se um produto, enfim, pode abrir portas para um mundo que talvez elas não conheçam. Então, a iniciativa tem o objetivo justamente de apresentar esse mundo para elas. ”

 

Apesar do impacto positivo do projeto nas mulheres, ele ainda enfrenta desafios, como a adaptação dos espaços da penitenciária para as oficinas: “Muitas vezes é preciso deixar os objetos secarem, ou ainda, retornar o trabalho na próxima aula. Então, dentro da penitenciária isso acaba sendo um desafio, pois eles possuem poucos espaços, então temos que adaptar”, afirma Luciana. A artista conta ainda que o projeto como um todo é uma novidade geral, tanto para as mulheres quanto para a direção e a equipe de agentes penitenciárias, mas que todas as oficinas têm apresentado ótimos resultados.

 

“É importante dizer que os projetos que envolvem a arte estão ligados com o íntimo das pessoas, então, se elas têm dias ruins, isso reflete também no trabalho, assim como os dias bons. É preciso respeitar esse tempo, mas as vezes quem está de fora acha pequeno, infantil, não entende que é um processo em que você vai crescendo passo a passo”, explica.

 

Sobre a percepção das mulheres, Luciana afirma que a uma expectativa grande para o dia de aula, pois elas sabem que ele será diferente: “No momento da aula, elas perguntam sobre o exterior, querem saber sobre o que viram na televisão, sobre política, qual é sua opinião sobre o assunto, como a cidade está, enfim. É possível compreender que as oficinas ultrapassam a seara artística”. Para a artista, com o projeto elas passam a enxergar que são capazes de fazer coisas que já viram, e até mesmo tornar isso uma atividade remunerada, e despertam o lado artístico que existe dentro delas, mas, por vezes, ficou adormecido. Assim, com as aulas de arte elas tem a chance de se expressar, tornarem-se mais criativas, fazendo com que os momentos dentro do cárcere passem de uma maneira mais suave.