90 km de luta e fé: a ABAN na Caminhada Franciscana na Serra do Brigadeiro

Durante cinco dias, membros da ABAN percorreram a pé cerca de 90 km em peregrinação pela Serra dos Puri (Serra do Brigadeiro), vivendo espiritualidade, partilha e conscientização ambiental

Entre os dias 18 e 23 de julho, cinco membros da ABAN participaram de um marcante desafio físico e espiritual: a 7ª edição da Caminhada Franciscana na Serra dos Puri, promovida pela Fraternidade Franciscana Santa Maria dos Anjos, com partida de Belisário, distrito de Muriaé (MG), onde reside a comunidade dos freis. A ABAN integra essa fraternidade, sendo o seu núcleo em Juiz de Fora.

Ao longo de cinco dias, eles se uniram ao grupo de 30 a 40 caminhantes, vindos de diferentes regiões do país e contando ainda com duas participantes estrangeiras, para percorrerem aproximadamente 90 km pelas zonas rurais de Muriaé, Miradouro, Fervedouro, Araponga e Ervália, passando pela sede do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro e por diversas comunidades rurais.

O nome “Serra dos Puri”, adotado pelos caminhantes em substituição a “Serra do Brigadeiro”, resgata a memória do povo indígena Puri, dizimado e escravizado ao longo do processo de colonização e mineração na região a partir do século XVIII. A denominação atual homenageia o brigadeiro Bacelar, militar enviado pelo governo provincial décadas depois para “desbravar” o território, apagando assim a referência aos habitantes originais da serra. Há um projeto de lei na ALMG propondo a mudança de nome do parque da serra, em homenagem aos Puri.

Em cada parada, a caminhada foi marcada pela característica acolhida mineira das famílias locais, que ofereceram alimentação típica, e por momentos de troca: sementes crioulas e mudas nativas, saberes populares, espiritualidade e rodas de conversa sobre os desafios enfrentados pela região, entre eles a mineração de bauxita, o uso de agrotóxicos e a monocultura. A cada dia havia missa presidida pelos freis franciscanos na comunidade de pouso; uma Relíquia de 1º Grau de São Francisco de Assis acompanhou o grupo durante todo o percurso, servindo de forte inspiração para o propósito da caminhada.

Além do desafio físico, vencido com o apoio mútuo entre os caminhantes, a experiência reafirmou o propósito que deu origem à caminhada em 2018: conhecer a serra para melhor amá-la e defendê-la, e caminhar ao lado das comunidades que nela vivem.

(Na foto, os membros da ABAN Jardel, Renato, Inês, Jennifer e Gabriel no último dia da caminhada)